Síndrome da Bela –

Síndrome da Bela –

– Desculpe, mas homens não prestam!

Essa foi a afirmação que uma paciente me fez depois de terminar três relacionamentos amorosos por causa de traição.

Como é fácil generalizar, não é? Dizer que todos os homens não prestam tira de si a responsabilidade por suas escolhas e por sua vida. É assim que respondi a uma pessoa que visivelmente sofria de uma Síndrome que acomete muitas mulheres, principalmente no início da vida adulta. A Síndrome da Bela.

Sim a Bela, do filme “A Bela e a Fera”.

Você conhece a história, a menina que é sequestrada no lugar do pai e conquista o coração de um príncipe que foi amaldiçoado por uma bruxa e se transformou em fera. Através do seu amor, Bela conquista o coração da fera e o leva a ser de novo um príncipe encantado. Um linda história, um sucesso da Disney, mas que não tem nenhum dado de realidade.

A pessoa que sofre da Síndrome da Bela se apega a parceiros que são emocionalmente instáveis ​​de alguma forma. Ela se concentra e se preocupa mais com seu parceiro do que com ela mesma. Repetidamente, ela se encontra com parceiros que, a princípio, parecem doces e têm um tremendo potencial, mas logo se revelam emocionalmente voláteis, instáveis, agressivos, controladores, infelizes ou incapazes de lidar com algum aspecto de suas vidas.

Você pode se perguntar por que uma mulher ficaria com um homem assim?

“As Belas”, valorizam o amor e os relacionamentos acima de tudo. Quando ela esta apaixonada, ela é ferozmente leal e morrerá tentando ajudar sua “Fera” a perceber seu verdadeiro potencial. Essas mulheres costumam vir de famílias onde havia a necessidade de cuidar desde cedo de alguém próximo (pai, mãe irmãos)  ou em que havia um alto nível de turbulência e drama familiar.

Embora ela tente desesperadamente ajudar seu parceiro, o que ela realmente está tentando fazer é mudá-lo. Homens bem sucedidos, emocionalmente estáveis, disponíveis, parecem chatos para ela. O amor de um homem emocionalmente íntegro não pareceria amor de verdade. Para essas mulheres, o amor é sobre trabalho e sofrimento. É preciso mudar esse conceito de amor.

Amor só é amor se trouxer paz, se fizer dormir bem, se deixar livre e feliz… Só é amor se o coração ficar leve, se a alma se deleitar em calma, se a mente puder relaxar tranquila… Só é amor se o corpo revigorar, se a pele rejuvenescer, se o rosto brilhar… Só é amor se der amor, se tratar com amor, se cuidar com amor…E, se não for assim, pode ser qualquer coisa… mas, nunca será amor.

Mas será que é possível mudar esse padrão? A resposta é sim! Mas é necessário muito esforço e auto-conhecimento.

Fugindo das “Feras”

 O ponto de partida é perceber que sua identidade é a raiz do problema.

Não são os “homens que não prestam”. É você que só consegue enxergar como homem, aqueles que “não prestam.”

Depois de entender que o problema começa com você, procure conversar com amigos que mantem relacionamentos amorosos saudáveis. Procure alguém que seja seu amigo(a), e queira o seu bem. Comece explicando que você está lidando com um problema de relacionamento que deseja resolver; descreva seu problema (o padrão de relacionamentos que você tem); pergunte se o seu amigo(a) estava ciente de que você tem esse problema (mesmo que você já saiba a resposta); e pergunte por que ele(a) acredita que você se envolve nesse padrão. Escute a resposta e a considere, mesmo que pareça sem sentido para você.

Por que conversar com um amigo(a) saudável é tão importante? Primeiro, porque você precisa admitir para si mesmo e para outra pessoa que você tem um problema; segundo, porque você precisa se abrir para a ideia de que outra pessoa pode ajudá-lo a resolver o problema. Terceiro, porque você tem a oportunidade de ouvir uma outra perspectiva de avaliação dos “homens”.

Outro passo para mudar e aprender a evitar “As feras” é criar pensamentos e afirmações diárias. Na saúde mental, os terapeutas se referem a esse conceito como Self talk (conversa interna), que nada mais é do que o diálogo interno que todos nós temos na mente em resposta às coisas que acontecem em nossas vidas. Por exemplo, quando algo de ruim acontece com você, você diz a si mesmo que fez o seu melhor ou diz a si mesmo que você nunca faz as coisas direito? O que você diz a si mesmo é a sua própria conversa interna, e avaliar o tipo de conversa interna em que você se envolve é fundamental quando se trata de seus relacionamentos românticos.

Usar essas “self talks” pode fazer uma enorme diferença nas decisões românticas que você toma, porque você se programa para se sentir bem consigo mesmo e para se proteger da dor emocional. Algumas afirmações que ajudam incluem: “Só porque eu não tive um bom relacionamento ainda não significa que não posso procurar um no futuro” ou “É apenas uma questão de tempo até eu começar a tomar melhores decisões e encontrar um cara que fará bem pra mim.” Repetir esses pensamentos para si mesmo, principalmente quando você se sente triste ou começa a se questionar, pode fazer uma enorme diferença em sua vida. Se você praticar essa técnica diariamente, começará a se sentir mais confiante e positivo e começará a tomar melhores decisões principalmente as decisões que envolvem a vida sentimental.

Por ultimo e não menos importante. Na maioria das vezes, o desejo de cuidar do outro, nada mais é do que um desejo disfarçado para cuidar de si mesmo. Gaste tempo cuidando de você. Gaste sua energia curando “a fera” que existe dentro de você. Tenho certeza que existem coisas em você que gostaria de melhorar, aperfeiçoar, desenvolver. Coloque foco nisso.

Lembre-se que ninguém tem o poder de mudar o outro. Feras são Feras e príncipes são príncipes… Não vivemos numa ficção!  Quanto mais cedo você encarar isso, mais rápido vai viver plenamente.

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