SAIR ou FICAR? Saiba o que você deve levar em consideração quando seu relacionamento está em crise.

SAIR ou FICAR?

Saiba o que você deve levar em consideração quando seu relacionamento está em crise.

Se a vida fosse como nos lindos romances de Hollywood ou nos incríveis livros de Nicholas Sparks, as pessoas por quem nos apaixonamos jamais seriam capazes de quebrar o nosso coração. Infelizmente, nós humanos somos um pouco mais complicados do que na ficção. Mesmo os maiores romances podem acabar em tristeza, abuso e dor.
Muitas vezes, nós nos apaixonamos, nos comprometemos cada vez mais e, com o passar do tempo, descobrimos que aquela pessoa a quem nos entregamos tem problemas emocionais que nos causam um custo emocional incalculável.
Pessoas precisam de pessoas, mas não a qualquer custo. Relacionamentos tóxicos podem ser devastadores.
O amor é viciante, mas a esperança de viver a plenitude do amor é ainda mais. Quando não há amor nos relacionamentos, quando eles se tornam hostis, mesquinhos ou mesmo perigosos, você pode pensar que seria fácil abandoná-los, mas eles podem ser ainda mais difíceis de deixar, justamente pela promessa de um amor.
Um relacionamento ruim não é ruim por causa de altos e baixos comuns num namoro/casamento. Quando falo de um relacionamento ruim, estou falando daquele que constantemente rouba a sua alegria e o deixa com aquela sensação de que não era assim que deveria ser.
Às vezes os sinais são claros – abusos emocionais, físicos, críticas constantes, mentiras, gaslighting. Mas em alguns casos, os sinais não são tão visíveis, você tem apenas a sensação de que algo não parece certo. Há a impressão de que o amor acabou, ou um sentimento de solidão constante, falta de segurança, conexão ou intimidade, ou simplesmente a distância que aumenta a cada dia.
O que quer que esteja acontecendo, existem necessidades importantes que não estão sendo supridas. O relacionamento existe, mas é só isso, ou às vezes nem isso. Não há investimento na relação, ela é apenas mantida pelo status quo, não pelo amor, mas pelo hábito. Não pelo desejo, mas pela “aparência”.
Pode ser que existam circunstâncias que dificultam sair do relacionamento: filhos, parentes, igreja, ou mesmo uma dificuldade de aceitar que a escolha foi errada. Porém, nenhuma dessas circunstâncias deve estar à frente de suas necessidades individuais.
Existem alguns sinais que podem indicar que você está num relacionamento pelo hábito e não pelo amor.

  • Você sabe que é ruim, mas você fica.
  • Você quer mais para si mesmo, mas você fica.
  • Há necessidades importantes em você que estão famintas (intimidade, conexão, amizade, amor, segurança, respeito), e você sabe que nesse relacionamento elas permanecerão assim. Mas mesmo assim, você fica.
  • Você tentou terminar o relacionamento antes, mas a dor de estar sozinho sempre o traz de volta e então, você fica.

Deixar qualquer relacionamento é difícil e deixar um relacionamento ruim não é necessariamente mais fácil do que deixar um relacionamento “bom”.

O que fazer quando sair parece tão ruim quanto ficar?

Sair de um relacionamento implica em mudar a maneira de se ver nessa relação. Deixar de se sentir impotente para se sentir empoderado é algo sutil, porém extremamente importante.

É preciso muita desenvoltura, energia e força para se manter em um relacionamento ruim, assim como também é para sair dele. Com uma mudança de mentalidade, experiência e expectativa, os recursos que você utiliza para ficar no relacionamento fracassado e cegar a realidade podem ser usados para impulsioná-lo a seguir seu próprio caminho.

Veja algumas dicas que podem te ajudar.

  1. Viva o presente.

Viver no passado [Ele(a) sempre foi assim] ou no futuro [eu tenho certeza de que ele(a) pode melhorar] pode ser atraente, mas a energia para avançar precisa estar no presente. Está sempre lá, mas você tem que estar no presente para acessá-la. Para fazer isso, experimente completamente o relacionamento como está, sem precisar alterá-lo ou controlá-lo.

Isso pode ser assustador, especialmente se o ambiente em que você está é hostil ou solitário, mas a única maneira de ter certeza de que você deve deixar esse relacionamento é experimentá-lo completamente.

Nenhum relacionamento é perfeito. Todos os casais brigam e se machucam, dizem e fazem coisas que não deveriam. Essa é uma parte normal de viver e amar o outo.  O problema vem de ter que viver repetidamente no passado ou no futuro para tolerar o presente de abuso, violência, insegurança, ciúme, solidão e a tristeza – apenas para ser mais fácil ficar.

  1. Observe a si mesmo

Mantenha um registro de como você se sente no relacionamento, as coisas boas e as más. Se escrever não é seu ponto forte, tire uma foto de seu rosto na mesma hora todos os dias. Você vai ver em seus olhos. Fotos irão capturar o íntimo, o detalhe do dia a dia de você neste relacionamento. Defina um período – semanas ou meses – e, no final, dê uma olhada nas suas fotos e/ou no seu registro. Você pode ver padrões? O que você percebe sobre as coisas que machucam você e as coisas que são boas? A frequência? A intensidade? O que você vê nas fotos? Você pode ver vida em você? Ou está apenas sobrevivendo? Essa é a pessoa que você quer ser? Ou é uma versão desbotada e triste? Isso pode ajudar a ver sua experiência na relação pelo que ela é – despojada dos filtros e do abrandamento que vem com o tempo.

  1. Esteja ciente do que está acontecendo em seu corpo, ele está tentando te dizer uma coisa.

A conexão entre a mente e o corpo é poderosa. Se você ignorar as mensagens que estão vindo de sua mente, seu corpo se manifestará. Haverá sensações em seu corpo (peso, mágoa, tensão) e o modo como isso funciona. Seu corpo desacelerou? Existe dor física? Isso doía? Você parece pesado? Inquieto? Cansado? Drenado? Você sente seu corpo murchando, amassado ou como se estivesse se segurando? Se o seu corpo pudesse falar, o que ele diria?

Tente este exercício:

Terminar esta frase:

‘Meu corpo está …’ (cansado / amassado / machucado – o que faz mais sentido para você) ‘.

Agora, mantenha o seu final, mas substitua as palavras “Meu corpo é” por “Eu estou” ou “Minha vida está”.

Observe o que acontece quando você faz isso.

  1. Encare a verdade

O ser humano tem uma capacidade de adaptação assustadora. É assustadora porque ele é capaz de se adaptar a ambientes extremamente hostis, e muitas vezes, sem necessidade. Umas das estratégias que ele utiliza para isto é um mecanismo de defesa de nossa mente chamado de negação. O custo de negar a realidade pode ser devastador. Observe o que você faz para se afastar da realidade. Há comportamentos prejudiciais que você faz para não se sentir mal? Pessoas que você gosta, que prefere evitar?

Tente ficar com o desconforto em vez de evitá-lo. Na dor encontramos a sabedoria, coragem e força que precisamos para encontrar a versão mais feliz de nós mesmo e de nossa vida.

  1. Estabeleça um prazo.

É fácil esquecer quanto tempo você vive com o que não quer, esperando que um dia seja melhor.

Escolha o seu ‘Dia D’. Que seja seis semanas, seis meses – o que quer que pareça certo para você. Nesse tempo, dê ao relacionamento tudo o que você tem. Quando esse dia chegar, seja honesto e aja. Dê um lugar a sua força, seu respeito próprio e seu amor próprio. A resposta estará na sua frente.

  1. Torne-se um pouco “egoísta”.

A maneira como pensamos sobre o egoísmo é errada. O egoísmo é reconhecer o que você precisa e fazer isso custe o que custar. Sem medir consequências, sem pensar no bem-estar dos outros. Mas nem sempre ser um pouco egoísta é ruim. Aliás, muitos dos meus pacientes confundem amor-próprio com egoísmo.

Enxergar suas necessidades, colocar-se em primeiro lugar, sem pisar ou ignorar os outros nunca fez e nunca fará mal. É preciso que tenhamos por nós um olhar de apresso, cuidado, perdão e misericórdia. A própria Biblia que condena o egoísmo nos orienta a amar os outros assim como nós amamos a nós mesmos. Ou seja, como posso amar os outros se não consigo cativar amor por mim mesmo?

  1. Seja honesto sobre sua responsabilidade neste relacionamento.

Existe alguma coisa que você pode fazer para colocar o relacionamento de volta aos trilhos? É preciso coragem para reconhecer suas falhas e agir de forma diferente, mas é importante. Se você não tiver certeza, pergunte ao seu parceiro. É claro, só porque o seu parceiro nomeia coisas que ele gostaria que você fizesse de forma diferente não significa que você deve concordar com elas.

Dificilmente um relacionamento dá problemas por culpa de um só. É provável que haja um padrão no relacionamento que o mantém do jeito que é. Você e seu parceiro tem um papel nessa relação. Saber mais sobre qual é o seu papel nessa relação pode não ajudar você a recuperar este relacionamento, mas com certeza o ajudará a não errar no próximo.

É comum nos relacionamentos que uma pessoa seja aquele que começa as discussões e o outro aquele que se cala. Em relacionamentos saudáveis, isso é equilibrado ou os papéis mudam. Existe uma flexibilidade. Em relacionamentos não saudáveis, esses papéis se tornam polarizados. Quanto mais alguém recua, mais o outro avança, e é aí que os papéis se tornam fixos.

Explore seus papéis. Qual de vocês é comunicador, o não-comunicador, o agressor, o crítico, o desinteressado? E quem é o facilitador, a vítima, o desamparado, o fantasioso. Tente sair do seu papel. Isso mudará a dinâmica e forçará a mudança ou tornará a disfunção ainda mais evidente – e mais fácil de se afastar.

  1. Deixe de lado a fantasia.

A fantasia do que poderia ser irá mantê-lo preso.

A fantasia fica entre você e a realidade e lança flores aos seus pés para que você nunca olhe para cima e veja as coisas como elas são.

Quanto mais você fantasia sobre o que poderia ser, mais a realidade é embelezada e transformada em algo razoável, mas irreal. A fantasia irá persuadi-lo a aguentar um pouco mais e sempre à custa de seguir em frente. Perca a fantasia de que as coisas serão diferentes. Eles não serão. Se você pudesse ter vivido a fantasia com esse relacionamento, você já teria feito isso.

Viver a realidade pode assustar, mas quanto mais você puder aceitar onde está, maior a capacidade de mudança. Isso permitirá que suas decisões sejam conduzidas por informações reais e precisas, não uma imagem de conto de fadas resumida do que poderia ser. Aceite sua realidade como ela é – seu relacionamento, seu parceiro e o que isso significa para você. Quando você aceita a verdade, você vive a verdade. Isso expandirá sua coragem, força e capacidade para decidir se esse relacionamento é a melhor opção para você – ou não. Você terá uma clareza que o impulsionará para frente, seja o que for que isso possa significar para você.

  1. Lute por você.

Você tem que lutar pelas coisas que ama e pelas coisas em que acredita, mas uma dessas coisas tem que ser você. O que você diria para alguém que você ama que estava sentindo a dor ou a morte que você está sentindo? Dentro de você há mais coragem e força do que você jamais precisará. Você é uma rainha, um rei, um lutador, um guerreiro, você é poderoso e belo e tudo de bom no mundo – e você merece ser feliz. Mas primeiro, você pode ter que lutar por isso. Lute por você do jeito que você lutaria por alguém que você ama – ferozmente, corajosamente, bravamente.

  1. Pare de dar desculpas.

Seja honesto. O que você quer deste relacionamento? Você já teve isso? Quão diferente é o que você quer do que você tem? E quanto tempo tem sido assim? Se você é amado, parece amor. Mesmo no meio de uma tempestade, um relacionamento amoroso ainda é amoroso. Apesar do estresse, do cansaço, das coisas que você faz ou diz – um relacionamento amoroso tem uma corrente de segurança e respeito, mesmo quando os tempos estão difíceis. Se não é bom para você, não é.

  1. Substitua ‘não posso sair’ por ‘não vou sair’.

Reclamar o seu poder, substituindo ” não posso sair ” com ” não vou sair “. Às vezes, as circunstâncias significam que é difícil sair. O que quer que você escolha fazer, faça-o de um lugar de força, não de um lugar de desamparo.

Se você ficar, deixe que seja porque você tomou a decisão de que esta é a melhor opção para você neste momento, não porque alguém reivindicou a propriedade de sua vida.  Mantenha seu poder e sua independência de mente, o que quer que esteja acontecendo ao seu redor. Você é importante demais para se deixar levar pelas circunstâncias ou pela manipulação.

  1. Não tomar uma decisão é tomar uma decisão.

Você pode decidir adiar a decisão, dar um tempo. Não se enganem, isso é tomar uma decisão – ficar. Tome sua decisão e experimente totalmente o que essa decisão significa para você. Não viva na periferia de sua realidade afirmando estar em algum lugar entre se comprometer com o relacionamento e deixá-lo. Você é um ou outro. Nele ou fora dele. Reivindicar a indecisão pode parecer bom a curto prazo, mas a longo prazo isso irá apenas mantê-lo preso, sem a energia que você precisa para se aproximar do que será mais saudável para você.

E finalmente …

Se o relacionamento parece ruim, então é ruim para você. Essa é a única verdade que importa. Lute com afinco para manter seu relacionamento intacto, mas quando não houver mais luta, a verdade estará te encarando.

Todos os relacionamentos passarão por conflitos e testes, mas relacionamentos saudáveis ​​se recuperam. Eles se aproximam e se tornam mais fortes e resistentes. Os relacionamentos têm uma quantidade limitada de recursos disponíveis – emocional, físico e financeiro. Às vezes, o relacionamento será afetado por uma tempestade e isso pode consumir uma grande parte dos recursos que foram depositados ao longo do tempo.  Se o relacionamento for saudável, será apenas uma questão de tempo até que isso seja completado. Se não for, ela murchará por falta de nutrição e eventualmente morrerá.

Só você pode decidir se quer ficar ou sair, mas esteja atento às suas razões. Às vezes as coisas mais corajosas, mais difíceis e mais transformadoras da vida não estão naquilo que fazemos, mas no que deixamos de fazer.

 

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