DOR EMOCIONAL – Como se recuperar quando a vida esmaga você?

Como você se recupera quando se sente totalmente esmagado pela vida? Quando seu coração literalmente dói a cada batida? Quem nunca sentiu o coração como se estivesse sangrando por dentro? Se você já passou por isso sabe que a dor é inexplicável e insuportável . Você se sente completamente vulnerável e pergunta-se constantemente: “ Por que isso aconteceu? ”

Em nossa vida passamos por tantas dificuldades: Desgostos, doenças, feridas emocionais, morte, abandono, é quase uma infinidade de situações que se torna impossível descreve-las.

Independente de qual experiência, toda magoa é pessoal. Não importa quantas pessoas bem-intencionadas lhe digam: “eu entendo você”, elas não entendem. E você ainda pode se ressentir por elas tentarem.

Como psicólogo, já me encontrei com muitas pessoas feridas. Eu testemunho as suas dores e faço o melhor que posso para abrir um espaço para elas expressarem isso. Mesmo quando as pessoas gritam: “Por que isso aconteceu comigo!?” Eu tento não devolver um consolo reativo (Uma espécie de conselho ou resposta rápida que sempre parece falso, vazio e até mesmo insultante) quando alguém está profundamente magoado.

Depois de 10 anos exercendo a psicoterapia, isto é algo que eu aprendi: quando você é violentamente derrubado pela vida, você não deve se levantar imediatamente. É como tropeçar e cair, você tem o impulso imediato de se levantar e continuar o movimento, mas ignorar uma séria lesão só vai fazer as coisas piorarem. A dor exige atenção e precisa ser reconhecida e acolhida antes que você possa seguir em frente.

A História de Amanda

Quando conheci a Amanda, ela tinha acabado de sofrer uma das piores feridas de toda a sua vida: a morte de seu pequeno filho. Durante semanas, em sessões individuais, ela se sentou em silêncio, distante, insensível praticamente estoica. Lembro-me que ela dizia: “Lagrimas não vão trazer minha filha de volta”. Preciso trabalhar e cuidar das minhas coisas. Assim ela evitava falar de sua dor.

No final das sessões, sempre tinha a sensação de que ela não voltaria para a próxima. Até que um dia lhe confrontei lhe perguntando o motivo pelo qual ela estava indo a terapia. Sem escapatória ela se viu pressionada e respondeu: “Minha filha… ela… minha filha…”  De repente, Amanda não conseguiu mais falar. Ela não conseguia encontrar as palavras. Ela lutou para engolir sua dor e sufocar suas lagrimas. Então disse: “foi um erro ter vindo aqui, me desculpe. ” Olhei fixamente em seus olhos e lhe disse: “Você perdeu sua filha Amanda! Faz parte da vida chorar pela morte! Recebo muitos pacientes que perderam seus filhos também. Está tudo bem se você precisa chorar! ” De repente, ela se encostou na cadeira e deixou as lagrimas escorrerem. Ela chorou longa e duramente, ofegando o ar quando abri espaço para a sua dor. A partir desse momento ela se engajou completamente a terapia. Lentamente ela percebeu que a melhor maneira de honrar sua filha era encontrar uma nova maneira de abraçar a vida.

O que você pode fazer depois de ter se ferido emocionalmente?

Eu me incluo entre aqueles que já tiveram o coração partido. Perdi minha mãe, meus avós, fui traído por amigos que considerava como irmãos, sofri desgostos. Eu já chorei sozinho no carro, no trabalho até mesmo na rua, às vezes com amigos e familiares, às vezes até com pacientes. Eu tentei evitar, mas como todo mundo, a magoa acabou me encontrando. Está é uma das certezas mais cruéis da vida.

1º honre sua dor

Evitar a dor só irá aumenta-la. Para se curar você deve passar pela porta do sofrimento. Feridas emocionais vão além de uma simples tristeza. É necessário senti-las das profundezas do seu ser. Honre sua dor, não fuja disso. Desligue um pouco a rotina do dia-a-dia e reserve um tempo para refletir e se dê permissão para sofrer. Ninguém morre de sofrimento. Se as pessoas bem-intencionadas lhe forçarem para “superar” ignore-as. Tempo e paciência são fundamentais para a recuperação. Cerque-se de amigos que entendam isso.

2º estenda a sua mão

Passar um tempo sozinho faz parte da cura, mas longos períodos de isolamento não são saudáveis. A dor profunda sempre traz consigo demônios pessoais (culpa, problemas de autoestima, desamparo, vitimização, etc…) Tais demônios criam armadilhas, não a cura. Estenda a mão para amigos, faça trabalhos voluntários, busque conforto na oração, meditação, algo que lhe traga paz. Em vez de desejar um milagre para sua dor, seja um milagre para a dor de alguém.

3º faça uma pausa na dor

É importante fazer uma pausa na dor e se envolver em atividades saudáveis. Cada um encontra alivio de maneiras diferentes. Alguns encontram alivio nas atividades físicas, outros nas atividades criativas como escrever, ler, ouvir música, arte ou cinema. Outros na dança, em aulas de idiomas. Não importa onde, o importante é que você escolha uma tarefa que lhe permita, por períodos, mudar o foco do sofrimento, entrando em outra realidade. Não se preocupe, sua dor estará esperando por você quando você voltar, mas você estará mais forte, descansado e pronto para lidar com ela.

4º aprenda com a dor

Já ouvi uma frase de que o caminho para a sabedoria estava cheio de sofrimento. E é verdade. Refletir, explorar e ponderar, sem autocritica ou culpa, pode lhe abrir possibilidades de uma maior compreensão e compaixão por si mesmo e consequentemente pelos outros. Essa atitude de aprendizado irá ajudá-lo a descobrir o valor da experiência pessoal. Como já disse, recuperar-se de um trauma emocional ou de um coração partido faz com que você se torne mais forte, mais sábio e mais resiliente.

5º Mude

Algumas pessoas permitem que o sofrimento as defina, modifique a sua essência e, em última análise, roube-lhes a vida. Um tempo atrás li a história do casamento de dois viúvos de aproximadamente 90 anos. Fiquei profundamente comovido, não pelo casamento em si, mas pela vontade do casal continuar vivendo as suas vidas depois de grandes perdas de seus primeiros cônjuges. Depois que você se dá tempo para lamentar e lamentar, depois de buscar apoio, de dar espaço para sua recuperação, você precisa tomar uma decisão: você permitirá que a dor emocional o defina ou você decidirá usá-la para impulsionar a sua vida em uma nova direção?

Alguns dias atrás, anos depois de ter tido alta da sua terapia, Amanda me procurou no facebook para falar de como estava sua vida. Ela deixou seu emprego corrido e formou-se em educação infantil. Está trabalhando na escola onde sua filha deveria estudar antes de morrer. Quando perguntei a Amanda como ela estava se sentindo, ela simplesmente respondeu: “Ainda sinto a sua falta, mas tenho tantos filhos para cuidar agora. Eu gosto de imaginar que minha filha, onde quer que ela esteja, tem muito orgulho de sua mãe. ”

Amanda encontrou um sentido para seu sofrimento e para a sua vida. Eu tenho certeza de que você também poderá encontrar o seu.

*Amanda é um nome fictício. Sua história me motivou a escrever este artigo e ela permitiu que eu o escrevesse.  

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