PSICOTERAPIA OU PSICANÁLISE – Qual é a abordagem certa pra você?

O que é psicoterapia? E psicanalise? Quais as diferenças entre elas? Qual a melhor se aplica ao meu caso? Estes, são questionamentos que recebo quase que diariamente. Pessoas que em algum momento das suas vidas, se veem com a necessidade de procurar ajuda na área de saúde mental e se deparam com essas dúvidas. Alguns, já saem do consultório médico com um encaminhamento para atendimento em uma abordagem especifica. Mas será que o médico sabe exatamente a diferença entre essas áreas? É muito provável que não. Para tirar essas dúvidas decidi escrever este post.

Em primeiro lugar é preciso salientar que TODOS os profissionais que atuam com psicoterapia ou psicanalise devem ser psicólogos com registro no CRP (Conselho Regional de Psicologia) ou médicos com residência em psiquiatria E psicoterapia OU especialização em psicanálise. Existem muitos aventureiros no campo da saúde mental. Coaching, terapeutas familiares, médicos sem especialização especifica são os principais responsáveis pelo caos existente na saúde mental do Brasil hoje.

Todo mundo que pratica psicoterapia é primeiro treinado para ser um clínico geral, também chamado de psicoterapeuta.  Na psicoterapia aprendemos um modelo fundamental de um teórico chamado Carl Rogers – uma abordagem “centrada no cliente” – que é construída com base em três valores fundamentais. A congruência (ser transparente e falar aquilo que é verdadeiro, sem se esconder, sem mentir), a empatia (capacidade de sentir o que o outro quer dizer, e de entender seu sentimento), e a aceitação incondicional (aceitar o outro como este é, em seus defeitos, angústias, etc.). Nessa abordagem o relacionamento do cliente (paciente) com seu terapeuta é utilizado para facilitar a tendência natural do cliente em direção ao crescimento e desenvolvimento da saúde mental.

Ainda na psicoterapia também aprendemos o modelo básico de Terapia Cognitivo-Comportamental, conhecido como TCC – que é uma teoria e técnica que aborda a influência de nossos pensamentos sobre os nossos comportamentos e emoções, e procura corrigir os pensamentos distorcidos, ou crenças limitantes para que possamos resolver problemas e lidar com a vida de uma forma mais pratica e eficaz.

Esses modelos têm como pressupostos que o cliente (paciente) da saúde mental quer mudar e melhorar. A ideia é que, se receberem ferramentas e apoio, e pensarem sobre seus problemas de uma maneira diferente, a terapia os ajudará. Pense numa metáfora da natação. Se você caiu em uma piscina ou foi atingido por uma onda do mar, então você terá que superar o medo de se afogar e aprender a nadar. Psicoterapeutas podem ajudar com ambos. Uma vez que você vê esse medo pelo que é (um medo, não um fato) e aprende a nadar, então você será mais capaz de administrar sua vida quando se encontrar na agua novamente.

Mas, muitos psicoterapeutas mais experientes descobriram que alguns clientes (pacientes) têm desejos e motivações conflitantes. Eles querem mudar e também não querem mudar. Eles parecem pegar as ferramentas que lhe são oferecidas, mas depois as rejeitam, as combatem ou as ignoram. Em outras palavras, a metáfora da natação tem outro aspecto que deve ser considerado. Por que algumas pessoas permanecem presas na agua, mesmo quando recebem apoio, ferramentas e diferentes maneiras de pensar?

É aí que entra a psicanalise e onde Freud encontrou seu ponto de partida. Freud, um médico neurologista trabalhava com pacientes que não tiveram melhora pelos métodos tradicionais de sua época. Ele descobriu que ouvir e conversar com esses pacientes era útil no início, mas que a melhora inicial diminuía e eles voltavam ao ponto de partida ou desenvolviam outros problemas. Foi aí que ele descobriu a resistência inconsciente de nossa mente à mudança. Esse é o fator que a maioria das psicoterapias realmente não aborda. Para algumas pessoas, as forças que se opõem à mudança são mais fortes do que as forças que a alimentam. Em outras palavras, algumas pessoas ficam na água de propósito – pelo menos inconscientemente falando.

Mas por que isso acontece? Freud acreditava que as pessoas resistem a ser resgatadas e aprender a nadar por dois motivos. Primeiro, porque a mudança significaria estar ciente e em contato com a dor mental. Isso pode envolver o medo do desconhecido, a dor das perdas e dos traumas, as responsabilidades e o trabalho árduo que acompanham a cura emocional, para citar alguns. Em segundo lugar, Freud acreditava que as pessoas resistem à mudança porque há algo de positivo em seus sintomas, existe algum tipo de ganho secundário com seu estado emocional atual, pode parecer estranho, mas para algumas pessoas, a doença mental faz parte de sua identidade, e elas deixarem de ser quem são, mesmo que seja para sua própria saúde, pode parecer assustador – pelo menos inconscientemente falando.

Então, para usar a metáfora da natação, algumas pessoas precisam de uma abordagem que as ajude a enfrentar e trabalhar com o fato de que, pelo menos em parte, elas não querem aprender a nadar. Seja pode medo de avançar ou por qualquer outro complexo. Alguns podem até lutar para ficar onde estão, porque lhes convém, de alguma maneira inconsciente, estarem se afogando.

É aqui que a psicanálise tem algo único para oferecer. Ela oferece uma maneira de abordar os fatores inconscientes que apoiam a tendência de uma pessoa de ficar preso em suas dificuldades. Freud chamou essa tendência de resistências.

A psicanálise, como teoria e modelo de tratamento, foi desenvolvida para abordar esses fatores inconscientes. Os psicanalistas são treinados primeiro como psicoterapeutas, e então eles têm um segundo treinamento para se tornarem psicanalistas. Pense nisso como treinamento para se tornar um especialista, como um clínico geral de medicina deve ter treinamento adicional para se tornar um cardiologista. O treinamento psicanalítico é especialmente projetado para ajudar o psicanalista a abordar os níveis inconscientes da mente de um cliente (paciente), de modo que as resistências à mudança percam força e as forças para a saúde, crescimento e desenvolvimento ganhem força. Para as pessoas que não foram ajudadas pela psicoterapia, a psicanálise é um modelo que pode fazer a diferença.

 

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