Você já teve pensamentos suicidas? Saiba que não é o único.

O que significam as fantasias suicidas e como aprender com elas.

 

A maioria das pessoas tem ou já teve pensamentos suicidas em algum momento de suas vidas, ainda que tenham medo de admitir. Estes pensamentos podem ocorrer de diversas maneiras. Imaginar os entes queridos chateados com a sua morte, desejar o fim da vida com o intuito de aliviar uma dor física ou emocional, ou quem sabe até mesmo como um ato de coragem ou mesmo rebelião.

Embora esses pensamentos ou fantasias possam ser assustadores, eles não indicam necessariamente um forte desejo de morrer.

Ao examinar os  pensamento suicidas, podemos aprender sobre desejos subjacentes ou entender melhor a origem de uma angústia mental/física que impulsiona esses pensamentos.

Como as fantasias suicidas podem ser úteis?

Ter um pensamento suicida é uma maneira de dizer para si mesmo: Ei! Eu preciso de algo! Meus sentimentos importam! Os pensamentos suicidas indicam sentimentos negativos que precisam ser ouvidos, não importa quão difíceis ou indesejado são.

Quando não sabemos como expressar esses sentimentos – raiva , vingança e solidão , por exemplo – eles podem nos fazer sonhar com o suicídio. Isso ocorre porque muitas vezes nos sentimos envergonhados de nossos sentimentos negativos e tentamos fazê-los desaparecer ou porque não sabemos a melhor maneira de lidar com esses sentimentos poderosos. Mas os sentimentos negativos são normais e eles não desaparecem sem serem abordados.

Quando Judy, de vinte e poucos anos de idade, teve seu primeiro desgosto, teve dificuldade em lidar com isso. Tadeu, o homem com quem ela estava namorando parecia o The One. Eles tinham tirado férias maravilhosas juntos e estavam fazendo planos para o futuro. Então, abruptamente, Tadeu parou de retornar suas ligações. Judy tornou-se frenética e fez tudo o que pôde para alcançá-lo, mas depois de algumas semanas, ficou claro que tudo não passava de uma ilusão. Sentindo-se impotente, irritada e triste, ela começou a pensar sobre se matar. No pensamento suicida, Tadeu descobre que Judy se matou e percebe que é culpa dele; Ele é dominado pela tristeza e culpa. Essas fantasias eram reconfortantes para Judy.

Cris era uma jovem mãe de primeira viagem. Seu recém-nascido nunca cochilava e tinha cólica e um aleitamento materno ruim. Não demorou muito para ela se sentisse exausta e inadequada. Seu marido tinha um trabalho extremamente exigente e demorado, então, embora ele tentasse ser útil, não estava muito envolvido. Até agora, ela não havia encontrado alguém para ajudá-la e seus pais moravam em outra cidade. Quando o bebê ficou nervoso, Cris descobriu que a única coisa que ajudava era carregá-lo até adormecer. Ela passou horas andando com Kevin no colo e começou a ter dor nas costas e no joelho. A combinação de dor física e ansiedade muitas vezes a levou a fantasias de não-existência. Embora soubesse que nunca tiraria a própria vida, a ideia de alívio da dor e da preocupação era muito atraente.

Mario é um ativista político apaixonado pela justiça social. Ele estava perturbado com a política do governo de legalizar o aborto. Ele escreveu cartas aos deputados e participou de comícios políticos, mas sentiu que precisava fazer mais e estava perplexo. Toda vez que ele lia sobre crianças sendo tiradas da barriga de suas mães, ele se sentia enfurecido e impotente. Então, ele começou a fantasiar sobre encenar um suicídio dramático. Pensou em como faria isso para obter a máxima atenção da mídia e o efeito positivo que teria. Mario tem muitos amigos e é geralmente uma pessoa otimista. Ele sabe que não vai se matar, mas o pensamento de cometer suicídio como um ato de protesto faz com que ele se sinta melhor.

Por que os pensamentos suicidas são importantes?

Os sentimentos negativos que levam aos pensamentos suicidas sinalizam a necessidade de uma mudança autêntica e duradoura em nossas vidas. Isso geralmente começa com a descoberta de maneiras de se apropriar e expressar com segurança esses sentimentos. Para Judy, Cris e Mario, suas fantasias suicidas surgiram no contexto de sentimentos poderosos e profundos que precisavam de sua atenção. Cada um estava insatisfeito com um aspecto importante de sua vida e eles tinham sentimentos conflitantes sobre se/como deveriam agir em sua insatisfação. Suas fantasias suicidas estavam tentando dizer-lhes que o que eles querem é importante e que uma mudança real em sua vida pode ser necessária.

O que pode ser feito com os pensamentos suicidas?

Embora ter pensamentos suicidas seja mais comum do que você imagina e não há nada de que se envergonhar, é benéfico assumir a responsabilidade de prestar atenção em quando, onde e por que você as tem. Se você tem um pensamento suicida, você pode se perguntar:

  • O que acabou de acontecer? O que eu estava pensando? Se você não tiver certeza, tudo bem.
  • Alguma coisa difícil aconteceu? Eu me dei permissão para sentir que era difícil?
  • Como posso protestar contra minhas condições sem me destruir?

Faça o possível para afastar qualquer julgamento sobre respostas. O julgamento de si mesmo, muitas vezes, nos faz sentir presos e contribui ainda mais para as emoções negativas, e nossos pensamentos suicidas, mais que qualquer coisa, precisam ser ouvidos. Surpreendentemente, eles podem nos mostrar o que mais importa para o nosso bem-estar.

Quando procurar ajuda

Embora os pensamentos suicidas possam nos ensinar sobre o que precisamos e fornecer alívio emocional temporário, eles podem persistir se não forem abordados, tornando-se uma preocupação mais séria. Procure ajuda se achar que esses pensamentos  suicidas estão se tornando mais freqüentes ou interferem em sua vida diária ou envolvem o desenvolvimento de um plano suicida.

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

E se alguém que você conhece expressar um desejo de tirar sua vida, deixe-o saber que você está ouvindo e que você se importa com ele e incentive-o a procurar ajuda profissional.

 

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