POR QUE VOCÊ DEVE INTERPRETAR SEUS SONHOS – Como conhecer seu inconsciente!

À medida que envelhecemos, as coisas que desejamos na vida tornam-se mais complexas. Às vezes queremos algo que não nos parece errado, mas pode nos causar sérios problemas. Por exemplo, podemos querer o trabalho de nosso chefe, e, se ele soubesse disso, poderia nos ver como uma ameaça. Então, escondemos dele esse desejo, e até de nós mesmos.
Em vez de falar ou assumir esse desejo, podemos sonhar, por exemplo, que estamos batendo em alguém num jogo. A pessoa contra a qual lutamos se assemelha ao nosso chefe de alguma maneira, ao mesmo tempo em que não se parece em nada com ele. Nosso inconsciente reconhece a pessoa simbolizada como sendo igual ao chefe, e sente-se satisfeito com o sonho e nos deixa continuar a dormir porque nosso desejo secreto de superá-lo está sendo atendido. Sonhar é uma atividade muito complexa.

De acordo com Sigmund Freud, o objetivo de um sonho é satisfazer aqueles desejos que não podemos nem mesmo expressar, muito menos trabalhar para satisfazer, quando acordados.

Isso significa que precisamos decodificar nossos sonhos para que revelem nossos desejos inconscientes. Afim de nos conhecermos. Isso nem sempre é fácil!

Os sonhos não são apenas aleatórios
Em uma aula que dei sobre interpretação de sonhos, os alunos foram convidados a trazer seus próprios sonhos para analisar. Toda vez que um aluno apresentava seu sonho, algo semelhante acontecia. Quando os sonhadores começavam a analisar seus sonhos, descreviam o processo como frustrante. A princípio eles achavam que estavam trazendo sonhos sem sentido para a aula, mas os sonhos acabavam tendo informações importantes e relevantes sobre o que estava acontecendo em suas vidas e sobre seus desejos e vontades. Cada aluno descobriu que seus sonhos não eram apenas aleatórios, mas tinham significados importantes. Tanto é que decidi não mais usar esse método, por perceber quão invasivo era para a vida particular do aluno.
Por exemplo, lembro de um estudante que sonhava estar num navio de luxo e que em determinado momento se via nadando para longe ao invés de ir em direção a ele. Quando ele começou a analisar e interpretar seu sonho entendeu o barco como um representante de sua família: um veículo seguro que o havia carregado até aquele ponto, mas que ele estava nadando cada vez mais para longe ao começar a dirigir vida. E chorou muito ao relatar que estava fazendo um curso que era contrário a vontade de sua família.

Sonhos podem ser inquietantes
Quando um sonho é interpretado, pode revelar algo que é muito perturbador. Por exemplo, podemos descobrir que estamos em um relacionamento com alguém que nos lembra muito a figura de uma mãe ou pai e nos questionamos se nos casamos com nossa mãe ou pai. Pode haver um momento desconfortável de que essa pessoa esteja próxima demais ou familiar demais e sentir que há algo incestuoso nesse relacionamento. Assim, os sonhos podem revelar aspectos estranhos, extraordinários e inesperados de nós mesmos.

Aqui estão 7 razões pelas quais é importante interpretar seus sonhos:

  1. Você pode tirar proveito dos seus sonhos. Você sonha toda noite. Quando você acorda e pensa em um sonho, tem a oportunidade de acessar um produto do seu inconsciente.
  2. Sonhos utilizam elementos do cotidiano. Eles são formados, em parte, pelo que aconteceu no dia anterior, pensar neles pode lhe revelar que algo importante aconteceu no seu dia.
  3. Os sonhos não são apenas reiterações do que aconteceu durante o dia. Eles também incluem o nosso trabalho ativo em problemas que eram “insolúveis” à luz do dia. Algumas importantes descobertas científicas ocorreram como resultado de um sonho.
  4. Sonhos devem ser interpretados. Lembrar e interpretar seus sonhos pode abrir partes estranhas e excêntricas de você mesmo que são mantidas em segredo .
  5. Embora possamos estar inconscientes do inconsciente, isso é revelado em nossos sonhos. Se entendermos como o sonho é construído, podemos entender algo sobre a parte de nossas mentes que não podemos ver.
  6. Sonhos são significativos. Cada um de nós cria nossos próprios conjuntos de símbolos e usamos esses símbolos para ocultar o significado de nossos sonhos. Então o barco no sonho do aluno não significa que, nos sonhos, barcos simbolizam família. Este é seu próprio uso idiossincrático do símbolo.
  7. O significado dos sonhos é oculto porque as verdades dos sonhos podem ser perturbadoras a nossa consciência. Os sonhos têm o objetivo de satisfazer desejos inconscientes que nem sempre poderiam ser satisfeitos, como no primeiro exemplo deste texto.

Para começar a interpretar seus próprios sonhos, veja essas dicas :

    • Mantenha um diário de sonhos ao lado da cama e anote o sonho ao acordar. Esquecemos do sonho justamente porque o desejo inconsciente deve ser mantido ali. Ele escapa, mas logo em seguida procura voltar a seu lugar. Anotar pode nos ajudar a não “esquecer” algo importante.
    • Tente pensar sobre o sonho logo depois de tê-lo. Quanto mais você esperar para pensar nele, mais difícil será lembrar.
    • Considere contar o sonho para alguém que te conhece bem. Não precisa ser um terapeuta; um amigo íntimo ou companheiro muitas vezes pode ver coisas que estão fora de sua consciência.
    • Pense no seu sonho como uma obra de ficção ou um poema e tente interpretá-lo como se fosse uma obra de arte.
    • Sonhos recorrentes podem revelar traumas. Sonhar sempre com a mesma coisa pode revelar algo que precisa ser elaborado. Enquanto a pessoa está em processo de análise, com um psicoterapeuta, é muito comum sonhar. Faz parte da terapia, sobretudo dentro da psicanálise, a interpretação dos sonhos.

E você? Tem algum sonho em mente que o deixou inquieto?

Referencias Bibliográficas

FREUD, S. A Interpretação de Sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
FREUD, S. Alguns Comentários sobre o Conceito de Inconsciente na
Psicanálise. In: FREUD, S. Escritos sobre a psicologia do inconsciente. v. 1.
Rio de Janeiro: Imago, 2004, p. 79-93.
FREUD, S. (1915). O Recalque. In: FREUD, S. Escritos sobre a psicologia do
inconsciente. v. 1. Rio de Janeiro: Imago, 2004, p. 175-193.

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