Intuição Feminina

“Se eu tivesse um dólar por cada vez que me disseram que eu estava sendo muito emotiva, que eu precisava liderar com a minha cabeça e não com o meu coração, bem, vamos apenas dizer que não precisaria trabalhar mais.  Demorei anos para reconhecer que aquilo que frequentemente era alvo de críticas – nos relacionamentos, no trabalho, em meus estudos acadêmicos – era, na verdade, uma das minhas maiores forças: minha voz interior, meu instinto, minha intuição.”

 

A intuição é definida pelos pesquisadores como a capacidade de nosso cérebro extrair “dicas” internas e externas para tomar decisões rápidas no momento – uma habilidade importante, particularmente em situações de alto estresse.

Ocorrendo fora de nossa percepção consciente, a intuição depende da capacidade de nosso cérebro avaliar instantaneamente sinais internos e externos, e tomar uma decisão baseada no que parece ser puro instinto. Quando as pessoas tomam decisões com base em sua intuição, elas geralmente têm dificuldade em explicar por que fizeram o que fizeram. Eles “só sabiam” o que fazer, como se uma voz estivesse lhes dizendo para fazer alguma coisa, e eles atenderam ao chamado.

Acredita-se que as mulheres têm uma intuição mais forte do que os homens e é por isso que chamamos isso de intuição feminina, e não de intuição masculina, mas essa inclinação é muitas vezes subestimada em nossa sociedade baseada na lógica. Somos ensinados desde cedo a ignorar nossa intuição e confiar na sabedoria dos outros. Também somos propensos a ser criticados por sermos muito sensíveis, emocionais demais, dramáticos demais e ilógicos demais quando estamos agindo através de nossa intuição. Essa barreira constante de críticas pode obscurecer nosso julgamento e nos fazer duvidar de nós mesmos e de nossos instintos.

Basicamente, os pesquisadores descobriram que, embora homens e mulheres tenham a capacidade de intuição, as mulheres têm uma intuição mais forte, porque seus cérebros são fisicamente ligados a ela. Por exemplo, um estudo usou exames de ressonância magnética para comparar a conectividade do cérebro masculino e feminino e descobriu que o cérebro masculino típico é neurologicamente conectado para ser mais lógico e, portanto, é mais eficaz em vincular a percepção à ação.

O cérebro feminino, por outro lado, tem mais conexões neurais e é mais eficiente, o que torna as mulheres melhores na interpretação de fenômenos sociais. Em outras palavras, os homens são programados para ser mais lógicos e as mulheres são programadas para serem mais intuitivas. Os homens também têm inteligência espacial mais alta e as mulheres são melhores no pensamento geral (também, pelo que vale a pena, os homens realmente são melhores em ler mapas, mas as mulheres são melhores em multitarefas).

Talvez seja por isso que, durante anos, agências de inteligência, como a CIA, concluíram que as mulheres são melhores espiãs porque sua intuição aumentada lhes permite reconhecer padrões pessoais e sociais que não são tão visíveis aos homens. As espiãs femininas são frequentemente elogiadas por terem uma “antena extra”, por terem melhores habilidades de ver as pessoas, por serem melhores em ler a linguagem do corpo e por mais facilmente captar sinais sociais.

As mulheres são tão capazes de usar o raciocínio lógico como os homens, e os homens são também capazes de ter uma boa intuição. Mas os cérebros masculino e feminino são ligados de maneiras diferentes, e isso não é uma coisa ruim. O que é ruim, porém, é que, durante anos, as inclinações naturais das mulheres têm sido consistentemente desvalorizadas pela sociedade, favorecendo, ao invés disso, uma abordagem mais lógica (isto é, mais masculina) para a tomada de decisões.

Nós fomos ensinados desde cedo que a intuição é uma forma mais fraca de raciocínio do que sua prima mais confiável, a lógica. E, como resultado, as mulheres tendem a subestimar suas inclinações naturais – suas naturezas mais intuitivas, sua inteligência emocional e sua abordagem mais holística à solução de problemas.

“Eu costumava vacilar sempre que meu ser interior sentia que algo estava errado em meu mundo e enviava uma mensagem que eu não conseguia decifrar. Era irreal o medo que eu estava experimentando? Ansiedade?  Eu frequentemente não fazia ideia. Quando meu coração me enviou em uma direção e meu cérebro em outra, entrei em pânico e permiti que a insegurança inundasse meus sentidos. Quando eu tinha um forte senso de algo, uma coisa que eu simplesmente sabia, e alguém me acusava de ser muito emotiva, eu me encolhia de vergonha, desejando ser mais lógica e menos apaixonada em meu pensamento.”

Tempos atrás, conheci uma paciente que queria trabalhar para ser menos emocional e mais lógica no seu pensamento. Ela queria silenciar a sua voz interior, estava certa que não podia confiar nela pois, com frequência, suas intuições não faziam sentido. A adverti contra isso, dizendo que nossos corpos frequentemente discerniam a verdade algumas semanas à frente de nossos cérebros. Às vezes, nossa intuição nos faz agir rapidamente, outras vezes precisamos ser pacientes e deixar nossa intuição nos guiar lentamente através de águas agitadas.

Lembro-me de outra paciente que não gostava de ter sentimentos de origens desconhecidas. Ela não suportava a incerteza de não saber o que o sentimento em seu coração estava tentando lhe dizer. Ela estava impaciente por decifrar sua mensagem, levando a tirar conclusões incorretas, o que sustentava a noção (incorreta) de que ela era muito emocional e seus instintos não eram confiáveis. Imagine alguém se debatendo na água prestes a se afogar. Era ela, quando seus instintos estavam em alta velocidade e ela não confiava ou entendia o que a voz da intuição estava tentando lhe dizer.

O segredo para sair desta situação está em aprender a confiar em sua voz interior, aprendendo a integrar sua intuição com seu raciocínio lógico – coração e cérebro trabalhando em sincronicidade.

No final do processo terapêutico, ela fez o seguinte relato:

Estou orgulhosa da minha intuição agora e da minha capacidade de captar sugestões sociais. E mesmo que eu saiba que minha intuição não é uma prova completa, e eu preciso submetê-la ao escrutínio do meu lado mais lógico, nunca mais serei silenciada quando alguém me disser que estou sendo muito emocional. Eu sou emocional. Eu trago emoção para meus relacionamentos pessoais e meu trabalho, todos os dias. Ser emocional é o que me permite ler as pessoas, ter empatia com elas, ver o mundo através de inúmeros prismas, e isso me torna mais eficiente em tudo que faço – isso me torna mais eu.

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