Angústia

A angústia é uma das emoções mais desafiadoras do ser humano. Diferente do medo, que todos o sentem de algo concreto e que pode ser definido, e assim evitado, a angústia em geral é uma emoção causada por algo fugidio, impreciso, difícil de ser identificado. Diferente da ansiedade, que é uma apreensão exagerada em relação ao futuro, a angústia é um sofrimento relacionado ao presente.

Há muito mais do que se poderia imaginar por trás daquele “aperto no peito” com o qual se costuma associar a angústia, que pode vir acompanhado de um sentimento de vazio e até mesmo de dificuldade de respirar. Desde a modernidade, a partir da segunda metade do século 19, essa emoção tem intrigado filósofos, psiquiatras e psicanalistas.

Sob o olhar da filosofia, por exemplo, a angústia não é necessariamente uma emoção negativa ou patológica. Chamada às vezes de angústia existencial, é uma condição típica do ser humano, que por ser livre e capaz de fazer suas próprias escolhas e ao mesmo tempo responsável por essas escolhas e pelas consequências delas, o que pode ser angustiante.

Além disso, como é o único ser dotado de consciência, o homem é também o único que conhece a morte e a incerteza sobre o futuro, o que pode nos deixar angustiados.

Já a psiquiatria, a psicanálise e a psicologia, com o seu olhar clínico, costumam considerar a angústia, de acordo com a sua intensidade, como um provável sintoma de manifestações psicopatológicas mais sérias que devem ser identificadas e tratadas caso a caso.

Sob esse ponto de vista, a emoção de angústia é caracterizada por um estado de excitação emocional que pode ser uma reação a sinais de perigo físico ou ameaça psíquica como, por exemplo, em situações como o diagnóstico de uma doença, um desgosto amoroso ou um desemprego inesperado; ou ainda como uma agonia mental sem nenhuma causa aparente, que às vezes pode decorrer de sentimento de frustração, insegurança, culpa.

Mas todos parecem concordar que a angústia costuma trazer consigo uma sensação de desamparo. Ela pode ser, como dizem os filósofos, mais existenciais, inerente ao ser humano, ou mais intensa, como dizem os clínicos, capaz de comprometer a vida normal, principalmente se vier associada a sintomas como dor no peito e na garganta, com sensação de aperto; batimentos do coração rápidos e descontrolados; sensação de sufocamento, com dificuldade em respirar; inquietação e desassossego constante; dor de cabeça permanente; e pensamentos negativos. Nesse caso, é sempre recomendável procurar um profissional de saúde habilitado.

Fontes:

BESSET, Vera L. A clínica da angústia: um lugar para o sujeito. Temas em Psicologia da Sociedade Brasileira de Psicologia, v. 9, 2001, p. 137-143.

MOTTA, Carlos F. Considerações sobre o “além do princípio do prazer” na segunda teoria freudiana da angústia. In:

HANNA, Maria Silvia G. F; SOUZA, Neusa Santos (Org.). O objeto da angústia. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.

PISETTA, Maria Angélica A. M. A falta da falta e o objeto da angústia. Estudos de Psicologia, v. 26, n. 1. Campinas, jan./mar. 2009. Disponível em: . Acesso em 3 junho 2016.

REDAÇÃO M de Mulher – Angústia é doença e tem cura. 2014. Disponível em:http://mdemulher.abril.com.br/saude/saude/angustia-e-doenca-e-tem-cura Acesso em 6 junho 2016

REDAÇÃO Tua Saúde – Sintomas de angústia. Disponível em http://www.tuasaude.com/sintomas-de-angustiaAcesso em 6 junho 2016

SALVIATI, Nívea R.S. Angústia Existencial. 2003. Disponível em http://www.psicoexistencial.com.br/angustia-existencial Acesso em 3 junho 2016.

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